A chegada do período chuvoso reacende um alerta conhecido da pecuária: a mosca-dos-chifres (Haematobia irritans). Com um ciclo biológico acelerado por calor e umidade, o inseto encontra condições ideais para se multiplicar justamente durante a estação de monta, quando a reprodução exige mais equilíbrio sanitário e nutricional do rebanho.
Em entrevista ao Giro do Boi (Canal Rural), o médico-veterinário Felipe Pivoto explicou que, nas águas, o ciclo da praga pode se completar em cerca de sete dias, elevando rapidamente a pressão de infestação. Segundo o especialista, o estresse contínuo das picadas — realizadas por machos e fêmeas — aumenta o cortisol, o que prejudica a expressão de cio, atrasa a ovulação e pode elevar perdas embrionárias precoces, com queda de 20% a 30% na taxa de prenhez em cenários de alta infestação. Pivoto também cita impactos produtivos: animais parasitados tendem a perder ganho de peso ao longo da estação.
O desafio é quase permanente em regiões quentes e secas, onde podem ocorrer até 30 gerações por ano; no Centro-Oeste, essa sazonalidade pode chegar a algo em torno de 19 a 22 gerações, mantendo pressão relevante por vários meses. Diante desse quadro, a recomendação central é agir de forma preventiva:
Para sistemas de leite, a orientação segue a mesma lógica, observadas as carências e rótulos dos produtos escolhidos e o conforto nas salas de ordenha.
A mensagem para a estação: sanidade e reprodução caminham juntas. Ao tratar o controle da mosca-dos-chifres como frente estratégica — e não apenas reativa — o produtor protege fertilidade, bem-estar e desempenho do rebanho nas águas.
Fonte: Entrevista com o médico-veterinário Felipe Pivoto ao programa Giro do Boi (Canal Rural). Conteúdo adaptado pela Rural Total News.