Na manhã desta segunda-feira (22), o governo da Argentina anunciou a suspensão temporária das retenciones — taxas de exportação — para a soja, seus derivados e outros grãos. A medida, válida até 31 de outubro, foi comunicada pelo porta-voz da presidência, Manuel Adorni, e pegou o mercado internacional de surpresa.
O objetivo central, segundo o governo Milei, é fortalecer o dólar no país e estimular a comercialização de grãos, abrindo caminho para a entrada imediata de divisas. A decisão ocorre em um momento de tensão cambial, com o peso argentino em forte desvalorização.
Na Bolsa de Chicago, os reflexos foram imediatos: futuros da soja recuaram mais de 12 pontos já na abertura, com quedas também no farelo e no óleo. Analistas alertam que a maior oferta de produto argentino pode pressionar ainda mais os preços internacionais.
De acordo com especialistas locais, a Argentina ainda tem cerca de 20 milhões de toneladas de soja, 12 milhões de toneladas de milho e 9 milhões de toneladas de trigo estocados, o que aumenta seu poder de influência no comércio global neste curto período de isenção.
Embora ainda falte a publicação oficial no Diário Oficial argentino, o anúncio já é visto como uma “bomba” para o mercado, podendo alterar estratégias de exportação e preços em todo o Mercosul. Para o Brasil, a medida pode gerar pressão de competitividade nas exportações, especialmente em relação à soja e derivados.